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terça-feira, novembro 02, 2010

Docência leiga na Amazônia é vista como descontinuidade pela pedagogia moderna

A proposta deste texto é mostrar, esclarecer, objetivar o termo professores leigos na função de Agente Auxiliar de Creche nas creches públicas do Rio de Janeiro.

Podem querer descontextualizar nossos objetivos, porém não passam de meras palavras e artifícios para resguardo de suas próprias ações.

S O M O S

P R O F E S S O R E S!!!

No Instituto de Psicologia (IP) da USP, uma pesquisa com professores amazônidas, que atuaram como leigos em escolas ribeirinhas e da floresta, revela que tornar-se professor é constituir, repetir, (re)produzir, de modo singular, uma prática discursiva institucional. "É essa própria prática que autoriza o professor, inclusive o leigo, a ocupar o lugar de quem ensina", aponta a pedagoga Cláudia Murta, autora de uma tese de doutorado sobre o tema.

Segundo a pesquisadora, a docência leiga é uma descontinuidade, uma fratura no discurso da pedagogia moderna, apesar de ter se mostrado como parte integrante desse mesmo discurso.

Os professores amazônidas envolvidos no estudo ingressaram no magistério na condição de leigos e muitos não chegaram a completar as quatro primeiras séries do ensino fundamental. Outros não possuíam sequer o nível de escolaridade no qual lecionavam. Mesmo assim, e em condições adversas, assumiam a função docente com autoridade, ministrando aulas em escolas palafitas, à beira do rio, ou em ranchos de palha, na floresta, com turmas multisseriadas.

Como alguém se torna professor à margem do sistema oficial de formação e credenciamento pedagógico, e que dispositivos autorizam e legitimam um professor leigo a ocupar o lugar de quem ensina? Na tentativa de elucidar questões como estas, a pedagoga selecionou para análise 16 redações, entre 96 produzidas por professores que participavam de um Programa de Formação de Professores. "As 16 redações escolhidas foram produzidas por professores que ingressaram no magistério tendo como nível de escolaridade o ensino fundamental incompleto", conta Cláudia, lembrando que o tema da redação era "Como me tornei professor".

O Programa foi fruto de um convênio celebrado em 1999 entre a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) do Pará, a Universidade Federal do Pará (UFPa), a Universidade Estadual do Pará (UEPa) e a Universidade da Amazônia (Unama). O Projeto objetivou formar, em nível superior, professores leigos do ensino fundamental e médio em exercício nas redes municipal e estadual de ensino, em diversos municípios no Estado do Pará, como Tucumã, Rio Maria, São Felix do Xingu e Cumaru do Norte.

Sujeito e instituição
Usando a estratégia da análise do discurso, Cláudia observou as singularidades nas redações. "Na recuperação de sua trajetória profissional, os professores estabeleciam significações com a sua história pessoal, com as figuras de professores exemplares que marcaram as suas vidas, com a instituição escolar ou com a pedagogia moderna - prática discursiva dominante a partir da qual todas essas relações se tornaram possíveis nas redações", observa.

A análise das redações procurou articular duas dimensões: o singular e o institucional. "As singularidades que se mostraram nas redações foram sendo fabricadas a partir do lugar do qual esses sujeitos estavam falando, o lugar de professor. Trata-se, portanto, de uma singularidade vinculada, de forma muito particular, ao contexto institucional".

Cláudia também analisou as regularidades discursivas nas redações. Essas foram reunidas em nove grandes temas. Entre esses, estão o percurso de escolarização narrado desde a infância, as motivações que levaram esses professores a ingressarem no magistério (dom, sina, sonho, acaso, fatalidade), a idéia de progresso e futuro, entre outros. "Pude ressaltar como os professores, em suas produções discursivas, repetem e legitimam, em suas rotinas pedagógicas, o discurso da pedagogia moderna, por efeitos de reconhecimento e desconhecimento".

Segundo a pesquisadora, "a docência leiga subverte um princípio fundamental da pedagogia moderna, segundo o qual os saberes socialmente válidos são aqueles transmitidos pelos sistemas escolares, por professores que passaram por um rigoroso processo de formação escolar para assumir profissionalmente a tarefa educativa e ocupar o lugar de quem sabe". Entretanto, ela concluiu que, mesmo entendida como uma descontinuidade, a docência leiga é um acontecimento que se dá dentro da rede discursiva da pedagogia moderna, faz parte dela, já que é um dispositivo instaurado para dar conta das demandas da Modernidade, que exige a universalização da educação.

Segundo a pesquisadora, "a docência leiga subverte um princípio fundamental da pedagogia moderna, segundo o qual os saberes socialmente válidos são aqueles transmitidos pelos sistemas escolares, por professores que passaram por um rigoroso processo de formação escolar para assumir profissionalmente a tarefa educativa e ocupar o lugar de quem sabe"

domingo, setembro 19, 2010

PROFESSORES LEIGOS

O que são professores leigos?

No Brasil, a existência de professores leigos é mais comum nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde muitos deles estudaram apenas até a 4ª série e a maior parte não terminou o ensino fundamental (antigo 1º grau). Em 1999, cerca de 30%, dos 456 mil professores de ensino fundamental no Norte, Nordeste e Centro-Oeste não tinham habilitação para lecionar. Ainda, de acordo com dados do MEC, do universo de professores leigos existentes no País, na mesma época, cerca de 113 mil não haviam concluído sequer o ensino fundamental.

Para acabar com a figura do professor leigo, o Ministério da Educação (MEC) criou, em 1999, o Proformação (Programa de Formação de Professores em Exercício), que constitui-se num curso de nível médio, com habilitação em magistério, na modalidade de educação à distância. Seu objetivo é oferecer um curso para professores sem habilitação que atuam nas quatro séries iniciais e classes de alfabetização das escolas da rede pública das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste o domínio dos conteúdos do ensino médio e a formação pedagógica necessários para a melhoria da qualidade de sua prática na sala de aula.

O Proformação foi criado para atender a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, segundo a qual para todas as etapas do ensino básico "só serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço". A LDB, apesar de exigir nível superior a partir de 2007 na contratação de professores, admite que os professores que estão na rede tenham formação em nível médio para dar aula na educação infantil e nos primeiros quatro anos do ensino fundamental. O Proformação cumpre também as exigências da Lei do Fundef pela qual "aos professores leigos é assegurado prazo de cinco anos para a obtenção da habilitação necessária ao exercício das atividades docentes - ensino médio e magistério".

Segundo dados do MEC, o Proformação conseguiu diminuir o número de professores leigos no Brasil para 45 mil, em 2001.

Brasil ainda tem 119 mil "professores leigos", aponta censo

No Brasil, 119 mil professores de escolas públicas e particulares não têm a formação mínima necessária para exercer a docência na educação básica.

No Brasil, 119 mil professores de escolas públicas e particulares não têm a formação mínima necessária para exercer a docência na educação básica. Os chamados “professores leigos” cursaram só o ensino fundamental (15,9 mil) ou o ensino médio regular (103,3 mil).


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) exige que a formação de docentes seja em nível superior, em cursos de licenciatura, admitindo-se o nível médio na modalidade Normal apenas para quem atua nos anos iniciais do ensino fundamental ou na educação infantil.

Essas e outras informações sobre a formação e o perfil do professor brasileiro foram apontados pelo Censo Escolar de 2007. Para resolver esse e outros problemas de formação dos professores que trabalham na rede pública de ensino, o governo lança amanhã (28) um pacote de medidas voltadas ao magistério.

Os professores leigos representam 6,3% do total de docentes pesquisados pelo censo e atendem 600 mil alunos. Entre os que possuem só o ensino fundamental, a maioria leciona em turmas dos anos iniciais do ensino fundamental e na pré-escola. Já os professores que possuem formação em nível médio, mas sem habilitação para o magistério, concentram-se em boa parte no ensino fundamental.

Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, para os "professores leigos" que atuam na educação infantil o ministério já oferece o Pró-Infantil, curso de formação que em 2009 atenderá 12 mil docentes. Dos 15 mil professores com escolaridade em nível fundamental, 8 mil concentram-se na Região Nordeste.

Na avaliação da secretária, a presença de "professores leigos" em sala de aula é grave, mesmo em etapas iniciais como a educação infantil.

“A creche e a pré-escola são espaços importantes para as crianças terem acessos a normas da socialização, da vida em grupo. Se elas são cuidadas por pessoas sem uma formação específica para lidar com a primeira infância, eles terão cuidado, mas não terão a educação”, avalia.



http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/brasil-ainda-tem-119-mil-professores-leigos-aponta-censo/23427/